• Matheus Amorim

Conferência Mensal 06/09/2019: "A História da Igreja, e as 04 chaves para o seu estudo"



Nesta conferência procuraremos apresentar brevemente algumas chaves para a leitura proveitosa da história da Igreja. Tais chaves devem abrir-nos para bem ler e absorver a riquíssima história da Igreja, em outras palavras, as quatro chaves de que trataremos devem nos ajudar a orientar a disposição de nosso corpo e alma em sua integralidade, incluindo aí as três potências da alma: sensibilidade, razão e vontade. Devemos destacar que estas chaves são apenas algumas pobres sugestões deste conferencista, derivadas de seus anos de estudo a respeito do tema e, como tal, estão submetidas à autoridade da Igreja que poderá corrigí-las a qualquer tempo.


O corpo é parte inerente do homem e é por meio dele que tomamos conhecimento da história da Igreja. Por isso a primeira chave foca no aspecto material do estudo e é a escolha de bons livros católicos sobre a história da Igreja. Neste sentido, existe vasta literatura, em línguas diversas, que pode ser consultada, tanto para obter visão geral quanto sobre temas e períodos específicos.


Desde Eusébio de Cesaréia até hoje, diversos autores se ocuparam em narrar os fatos mais importantes da história da Igreja. Estes fatos podem ser agrupados em duas categorias: a história eclesiástica exterior (cujo objeto é a relação da Igreja com os estados e sociedades civis e religiosas) e a história eclesiástica interior (que trata do desenvolvimento da doutrina e disciplina da Igreja). Enquanto a história interior é comumente associada ao estudo de outras disciplinas como a teologia, liturgia e eclesiologia, a história exterior é estudada em obras e manuais de diferentes autores. Bons manuais do século XX são História da Igreja de Boulanger (1934), História da Igreja Católica de Llorca et al. (1955) e Compêndio de História da Igreja de Frei Romag (1949), todos encontrados hoje em formato digital. Há ainda diversos outros autores reconhecidos como Régine Pernoud, Daniel-Rops etc.


Desta multitude de materiais, alguém pode pensar que o estudo da história da Igreja é árido! E está certo! Obras de história eclesiástica têm preocupação em fazer uma exposição científica da matéria e, como toda a ciência, tem seus pressupostos e depende de estudo atento e sistemático do fiel, principalmente no tocante às datas e os períodos históricos (axiomas da ciência histórica). Por isso, a segunda chave é a disposição da vontade para vencer a aridez do tema. É por meio da vontade reta que melhor orientamos a nossa alma para o estudo. Note-se que este esforço vem com uma recompensa, como explica Frei Romag, pelo estudo da história da Igreja o fiel “reconhecerá que o florescimento do reino de Deus na terra depende, depois da graça divina, sobretudo da piedade, da sabedoria e do zelo de seus membros [...]. E conhecendo a Igreja pelo estudo da sua história, amá-la-á, e com ela há de viver e sentir”.


Para melhor suportar nossa vontade é importante que também nossa sensibilidade esteja voltada ao tema. A história da Igreja narra os fatos vividos por grande família que tem a Deus por chefe e que milita neste vale de lágrimas, combatendo contra a carne, o mundo e o demônio. Devemos à esses a nossa fé. Se nós, que não vimos o Senhor, somos católicos é porque outros o foram antes de nós. Os que nos precederam, guardaram a fé e a nós transmitiram esta fé (transmissão é o que tradição significa). Este é um pensamento inspirador, tal como é inspirador saber que Nosso Senhor Jesus Cristo permanece unido a sua esposa, a Igreja, e que a auxilia em suas necessidades. Este sentimento, de gratidão a Deus e à Igreja, é nossa terceira chave. Por meio dela, a nossa vontade tem melhor disposição para com o material lido e tem capacidade de persistir no estudo.


Por fim, resta ordenamos nossa razão para ordenarmos nosso estudo e assim obtermos mais frutos do estudo da história eclesiástica. Neste sentido, procuramos dividir cronologicamente da história da Igreja, de tal forma que possamos assimilar melhor os fatos ocorridos em cada período de tempo. Classicamente, os manuais de história eclesiástica dividem os dois milênios de vida da Igreja em três grandes idades: antiguidade (até 680 ou 690), idade média (até 1492 ou 1517) e idade moderna (de 1517 em diante).


A razão, para se manter orientada ao longo do estudo, deve guardar, sempre presente, a quarta chave de que Deus age na história, de verdade!

Na escola, onde temos o primeiro contato com a história universal, somos levados a crer que Deus não age na história da Igreja. Para um católico, fica a impressão de que Deus agiu nos tempos bíblicos, mas depois que instituiu a Igreja, deixou de fazer isso. Não é que achemos que Ele não intervenha na vida privada dos cristãos, mas aprendemos a história como se Ele não tivesse qualquer papel na caminhada da Igreja neste mundo, como se todos os grandes fatos da história da Igreja (conversões de líderes importantes, batalhas vitoriosas, resistência dos mártires...) tivessem ocorrido por acaso ou dependessem exclusivamente das pessoas daquela época.

E esta é uma visão materialista! Tal visão é hoje disseminada na sociedade devido a difusão em larga escala de filosofias ateias tais como: o liberalismo, o socialismo e o comunismo.


Contudo, a ação de Deus como guarda e guia de sua Igreja é demonstrável. Primeiramente, esta ação é certa porque é, antes de tudo, uma promessa do sacratíssimo coração de Jesus: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16,18). De tal forma quiz Nosso Senhor garantir Seu amparo à cristandade que prometeu livrá-la dos pecados, dos vícios e das heresias (o significado das “portas do inferno”, como ensina São Jerônimo), em outras palavras, Nosso Senhor a fez santa, tal como professamos no credo.


Em segundo lugar, a atuação da Divina Providência na história da Igreja é dado objetivo que pode ser atestado através de diversos fatos marcantes, a começar pelos fatos essenciais na história da Igreja que são a vinda de Nosso Senhor ao mundo e a entrega Dele na cruz para nossa salvação. Estes fatos são a ação divina por excelência, são os fatos mais sublimes de nossa história e poderiam restar apenas estes para demonstrar nosso ponto. Contudo, há ainda diversos fatos importantes que demonstram a ação de Deus junto a seu povo, garantindo a sua promessa.

Este livro, Dez datas que todo católico deveria conhecer, de Diane Moczar, descreve por exemplo a conversão milagrosa de Constantino, em 313, que, como diz a autora, é uma destas “divinas surpresas” que marcam a história da Igreja. Assim também são vários eventos do primeiro milênio como o batismo de Clóvis em 496, a ascensão de Carlos Magno no século IX e a fundação de Cluny em 910. No segundo milênio destaca-se a catástrofe protestante em 1517, a revolução francesa em 1789 e a aparição de Nossa Senhora em Fátima em 1917.


Assim apresentamos as quatro chaves que consideramos como uma preparação de nosso corpo e alma para melhor estudarmos a história da Igreja, e esperamos que lhes sirvam em seus próprios estudos.

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