• Matheus Amorim

Festa do Sagrado Coração de Jesus, plenitude da divindade



Só os desígnios do Senhor permanecem eternamente e os pensamentos de seu coração por todas as gerações, afim de livrar-lhes a alma da morte e saciá-las da fome” (Salmo 32, 11.19).


Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19, 33-34). Dulcíssimo refrigério para os homens este acontecimento: a água que jorra à direita do Templo que representa o Batismo; e o Preciosíssimo Sangue da divina Eucaristia. Assim, Nosso Senhor nos fala: “Que o teu coração seja o Meu!“. Grande é este símbolo! Pela fé no Seu Sacratíssimo Coração, Cristo quer que arraigados e consolidados na caridade, possamos compreender as dimensões infinitas do Seu amor por nós e, uma vez alimentados com a flor do trigo, saborear da opulência do mel do rochedo que nos fartaria (Salmo 80, 17).


A união da Santíssima Virgem


Que maior exemplo há de união perfeita com o Coração de Jesus que a de Maria Santíssima em suas Sete Dores? Ela que padeceu com a profecia de Simeão sobre seu coração ser alvo da Paixão de seu Filho; que sofreu no desterro para o Egito, pobre e necessitada; que amargamente chorou com a perda de seu Filho no Templo de Jerusalém; que vendo seu próprio Filho com a Cruz sobre os ombros caminhando em direção ao Calvário entre escárnios e quedas, já não suportava a angústia; quão doce o amor por seu Filho, que ainda padecendo, viu Ele morrer na Cruz pregado entre malfeitores; e ao receber o Corpo defunto e preenchido de chagas em seus braços, doce era sua conformidade com a vontade divina; ainda mais conformada era quando, sepultado seu Filho, padeceu em grandiosa Soledade.


Exemplo dos santos


A maior de todas as penitentes, Santa Maria Madalena, é outro exemplo de amor ao Sagrado Coração de Jesus. De junto do túmulo fora a última a afastar-se e a primeira a vir com a luz do dia, e enquanto seu Esposo estava presente, já fazia penitências solenes. Foi por esse caminho que desejou ter um coração ardente de ternura. Procurando seu Jesus no santo sepulcro, chorava em prantos (Jo 20, 11-18). Eis que dois anjos do Senhor desceram do céu e lhe perguntaram: “Mulher, por que choras?“. Ela respondeu: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram“. Ela queria ver o Senhor dos Anjos, tomá-lO em seus braços e bem longe o levar. Em seguida Jesus lhe aparece dizendo: “Maria!“. Ela responde com grande jubilo: “Mestre!“. Quão suave odor deve ter sido essas palavras que saía da sua boca, ela que cobriu de beijos os pés do Salvador; lavou seus pés com lágrimas e enxugou-os com seus cabelos. Grandiosa penitente. Por amor a ela, concedeu Jesus Cristo ressuscitar seu irmão, Lázaro.

Outro santo que nos ensina de maneira magnifica o verdadeiro amor ao Sagrado Coração de Jesus é São Domingos Sávio. Estando ele reunido com os amigos a brincar de futebol, um dos garotos indagou: “O que vocês fariam se Nosso Senhor voltasse para realizar o Juízo hoje?”. Um disse que correria para casa e abraçaria sua mãe, outro que iria pedir para sua vozinha fazer uma bela torta para confraternização, um terceiro respondeu que iria correr para o quarto e rezar. Perguntaram a Domingos: “E você, caro Domingos, que faria?”. Ele respondeu: “Continuaria jogando futebol”. Ficaram todos espantados, pois Domingos era um rapaz de grande estima e zeloso pela fé. Mas logo São Domingos disse: “Ora, eu já vivo como se Nosso Senhor Jesus Cristo fosse voltar hoje. Portanto, não precisaria me preocupar com o Juízo”. Assim também expressa seu amor pelo Coração de Jesus, atravessado pela lança por nossos pecados, Santo Cura d’Ars: “Bendito seja Deus! Coragem, minha alma! O tempo passa e a eternidade se aproxima: vivamos como devemos morrer“.


A prática do amor a Jesus Cristo


O amor é naturalmente ativo e, sem exercício, não poderá durar muito” [1], diz São Francisco de Sales. Por isso, continua o santo “se conservássemos a fé, que sabe distinguir entre os verdadeiros bens que devemos procurar e os falsos bens que devemos rejeitar, se conservássemos, repito, a nossa fé vivamente atenta ao dever, com certeza ela serviria de sentinela vigilante à caridade, e a avisaria do mal que se aproxima do coração sob aparências de bem, e a caridade o repeliria imediatamente” [2]. Não conseguimos isso por mérito nosso, mas é Deus que nos concede de maneira abundante com as suas graças.

Imaginemos um girassol que tem o sol à sua frente. Consentindo em receber a luz que vem do sol ele cresce, se fortalece e possuirá uma beleza esplendorosa que lhe foi dada gratuitamente. Mas se rejeitar será uma planta atrofiada, seca e sem vida. Nada somos senão pela graça que recebemos do Sol da Justiça, e nada devemos ser senão para sua glória: “A tua pedição, ó Israel, vem de ti só, em mim está o teu auxílio” (Os 13, 9).

Como nos adverte o sagrado Concílio de Trento (Sess. VI, can. XIII), devemos ter firmíssima confiança em Deus e no seu auxílio; pois se não faltarmos à sua graça, Ele concluirá a obra da nossa salvação como a principiou, operando em nós o querer e o aperfeiçoamento: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” [Mt 10, 22). Quando amamos o Coração de Jesus assim como os santos O amaram, a caridade divina é infundida em nossos corações, podemos caminhar em Sua presença e fazer progresso no caminho da salvação, pois só Ele, Filho dileto, que se fez Vítima na Cruz, é fonte de vida e santidade: “Anda em minha presença e sê integro” (Gn 17, 1).

Assim nos adverte São Paulo dizendo para tomarmos sentido em não receber a graça de Deus em vão [2], mas que enquanto houver tempo [3], devemos correr de tal maneira que consigamos o prêmio [4]: a união com o Sagrado Coração de Jesus já aqui na terra e a Sua visão em esplendor de Glória no céu.

Deus omnipotente e sempiterno, olhai para o Coração dulcíssimo de Jesus, Vosso Filho, que foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mão do tosquiador [4], a qual foi enviada para salvação dos homens, Vós, aplacado, sede fácil no perdão, pelo nome de Jesus Cristo, que vive e reina pelos éculos dos séculos. Ámen.


Jesus, manso e humilde de coração. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.


Notas


[1] Tratado do Amor de Deus, Livro Quarto, São Francisco de Sales.

[2] Tratado do Amor de Deus, Livro Quarto, São Francisco de Sales.

[3] 2Cor 6, 1; Gl 6, 10; 1Cor 9, 24.

[4] Is 53, 7.


Por Matheus Yann Assunção

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