• Jamile Araújo

Origem da Festa de Nossa Senhora do Rosário


São Pio V desde Roma vê miraculosamente a vitória da frota católica. Mosaico na basílica de Fourvière, Lyon, França.


A Igreja comemora no dia 07 de Outubro a festa de Nossa Senhora do Rosário. Festa esta que, a princípio local, foi instituída para recordar a insigne vitória sobre o império Otomano na batalha de Lepanto, no dia 7 de Outubro de 1571, vitória esta devida à recitação do santo rosário.


Introdução

Desde o tempo de Maomé os muçulmanos ameaçavam toda a Europa, e durante o século XVI as coisas não pareciam estar tão favoráveis para a Cristandade uma vez que já havia começado a Revolução Protestante e o medievo europeu passava por uma crise por conta de toda uma série de transformações e as revoluções sociais que seguiram as da inteligência. Existia uma ameaça real dos protestantes aproveitarem a agressão feita pelos maometanos para invadirem países católicos. A Europa estava dividida. Os otomanos haviam se preparado militarmente e aproveitaram da situação para toma-la. Seus exércitos eram numerosos e os cristãos tinham pouquíssima chance de vencer a batalha. A República de Veneza apelou ao Santo Padre para que os demais reinos católicos acudissem seus irmãos à mercê da turba maometana; mas devido ao caos não foi uma tarefa fácil.



O heroísmo de São Pio V e a vitória na batalha de Lepanto

O Santo Padre, então Pio V, formou a Santa Liga e a consagrou na Basílica de São Pedro, composta principalmente pelas forças de Veneza, cidade marítima, a qual constituía uma república aristocrática, com largo desenvolvimento em todo o Mediterrâneo e com bons navegadores e boas frotas; dos Estados Pontifícios e liderada por Dom João d’Áustria, que era congregado mariano e irmão de Felipe II de Espanha. São Pio V chegou a citar numa encíclica a importância dele na batalha: “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João”. Mesmo o poder de Veneza sendo ponderável, o grande poder decisivo era de Felipe II.


No entanto, Felipe II era um homem extremamente indeciso. Tinha vaivéns. Hora dizia que concordava, outra hora já não concordava mais, pedia prazos e deixava passar os prazos. O Santo Papa estava em verdadeiro martírio, pois era solicitada sua ajuda a todo instante, mas sem a cooperação de Felipe II ele não poderia fazer muita coisa. Uma vez que Felipe II foi convencido, o então Papa Pio V recebia exigências financeiras suas entre outras. Mas quando Pio V conseguiu os navios necessários, outra vez Felipe II ficou indeciso. O Santo Papa vivia uma angústia imensa, mas foi graças a sua perseverança que ele enfim fosse para a batalha.

Partiram então os cristãos com a Cruz de Cristo rumo à batalha e libertação dos católicos já presos. Após o fim da travessia, o Santo Papa proclamou um jubileu solene e ordenou toda a Cristandade a rezar o rosário e fazer penitência para que Deus, Nosso Senhor, ouvisse os seus clamores e desse a vitória almejada. Era uma verdadeira Cruzada! Os fiéis por toda a parte faziam procissões e rezavam especialmente o Saltério Angélico, para que Nossa Senhora, auxílium christianórum, lhes fosse favorável rogando a Deus as graças necessárias.


Apesar do número inferior no combate, a frota cristã alcançou uma vitória gloriosa. Quase todos os muçulmanos foram presos ou correram a galopes. O almirante turco foi morto; mais de quinze mil cativos cristãos foram libertados e apenas um terço da frota turca conseguiu voltar.


No mesmo dia, São Pio V foi à janela do seu escritório rezar o terço e parecia contemplar um espetáculo, em seguida virou-se para os cardeais que o acompanhavam e disse: “Demos graças a Deus! Nossa armada saiu vitoriosa.”. Dezenove dias mais tarde chega a confirmação da revelação feita ao Santo Papa.


Aparição de Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão

Certamente é a vitória mais famosa do rosário contra os inimigos de Deus. Mas não foi a única, nem a primeira. Séculos antes, Nossa Senhora havia aparecido a São Domingos de Gusmão que empenhava-se no combate a heresia dos Cátaros — a heresia cátara dizia haver dois deuses, um bom e outro mau –, mas sem sucesso. A Virgem então apareceu a ele depois de três dias de intensa oração dizendo:


“Querido Domingos, sabes qual a melhor arma que a Santíssima Trindade quer usar para mudar o mundo? Respondeu São Domingos: Vós sabeis melhor que eu. Então ela disse: Quero que saiba que nesse tipo de guerra a arma sempre foi o Saltério Angélico. Pedra fundamental no Novo Testamento. Portanto, se queres converter essas almas endurecidas e ganhá-las para Deus, difunda o meu Saltério”.


Nossa Senhora então mostrou o rosário composto por 150 Ave-Marias a São Domingos e ele começou a espalhar a devoção encontrando grande eco nos fiéis, sobretudo naqueles que queriam imitar os monges que rezavam os 150 Salmos, mas que eram pessoas humildes, sem conhecimento do latim, de canto entre outras coisas. Logo a devoção popular do Santo Rosário que São Domingos de Gusmão havia propagado fez o que ninguém antes tinha conseguido: combater bem a heresia cátara. Além disso, propagou junto com o rosário as meditações que nele contém da vida de Nosso Senhor e da Bem-Aventurada Virgem Maria que é o meio mais excelente de santificação.


A Liturgia da Festa

O Próprio da liturgia desta Festa nos diz muito sobre a sua natureza. No Introito a Igreja nos diz: “Rejubilemos todos de alegria no Senhor, celebrando esta festa em honra da Santíssima Virgem”; na oração da Colectapede que “meditando nos mistérios do sacratíssimo Rosário da Santíssima Virgem, aprendamos a viver as lições que eles encerram, para alcançarmos as graças que prometem”; no segundo cânon, o Ofertório, a Igreja nos faz ver que Nossa Senhora é medianeira de todas as graças e por isso cheia de graça: Em mim reside toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Sou como a roseira plantada à beira das águas” [Ecl 24. 25; 39. 17]; a oração da Secreta inclina o sacerdote e os fiéis unidos a ele, a pedir a Deus as disposições necessárias para oferecer o Santo Sacrifício do Altar e nos diz que a meditação do Rosário consiste “da vida, da morte e da glória do Salvador”, e pede para que essa meditação nos torne “dignos das suas promessas”. Tal é a profundidade do Santo Rosário.


Conclusão

Façamos como os nossos irmãos na batalha de Lepanto: rezemos o terço todos os dias. Rezemos o terço e peçamos:


“Que a intercessão da Santíssima Virgem, cujo Rosário celebramos, nos ajude, Senhor, a alcançar os frutos dos mistérios que veneramos e os efeitos dos sacramentos que recebemos. Vós que, sendo Deus, viveis e reinais com Deus Pai na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Ámen” [Póscomunhão, Missa de Nossa Senhora do Rosário].


Créditos: matéria extraída do site Gaudete in Domino


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Endereço: Oratório Nossa Senhora do Rosário da Boa Vista | Rua da Conceição, 168, Boa Vista - Recife | PE

Coetus Fidelium Olindensis et Recifensis missatridentinaemrecife@gmail.com | (81) 98555 6549

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